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Nunca será só um jogo

Pedro Brizolara

Publicado em: 29/11/2016 - 12:27

Ao acordar hoje de manhã fui abalado pela terrível notícia da queda do avião que levava o elenco e comissão técnica da Chapecoense para a disputa da tão ansiada final da Copa Sul-americana, na Colômbia.

Além dos óbvios sentimentos de choque, incompreensão e tristeza com a situação em si, de perda de vidas humanas, se abateu sobre mim o desespero pela confirmação do falecimento do nosso querido Caio Júnior, ex-atleta presente no pentacampeonato estadual e ex-técnico do Tricolor.

Caio Júnior, como técnico do Tricolor, para quem não se lembra, antes de nos levar à Copa Libertadores da América pela primeira vez, em 2006, foi o responsável por façanha tão difícil quanto, ao assumir um Paraná quase rebaixado no Brasileirão de 2002 e mantê-lo na Série A com um empate heroico na última rodada em Florianópolis diante do Figueirense, após estar perdendo por 2x0, apesar dos salários atrasados e do elenco limitado, empurrando para a segundona o, hoje campeão brasileiro, Palmeiras.

Em janeiro de 2003 fui à Vila com minha mãe (atleticana) assistir a um treino e tentar conseguir autógrafos e fotos, quando dei de cara com Caio, já saindo de carro da Vila Capanema, que foi muito solícito ao parar, descer, conversar comigo e autografar uma camisa com os seguintes dizeres: “Ao amigo Pedro, um abraço do Caio Júnior”. Foi, sem sombra de dúvidas, um dos dias mais felizes na vida de um menino de 13 anos.

Pois bem, os anos se passaram, e em 2006 Caio retornou ao Tricolor para alcançar a primeira e sonhada classificação do Paraná Clube à maior competição de clubes das Américas. E quis o destino que, no domingo do jogo contra o São Paulo, que sacramentou nossa classificação, minha mãe (olha ela aí novamente!) fosse sorteada para participar como convidada do programa de futebol da TV Educativa, que seria integralmente em homenagem ao Tricolor, por razões óbvias.

Muito parceira, gentilmente ela cedeu seu posto para que eu pudesse protagonizar esse momento de tanta alegria, comentando a classificação junto ao presidente do clube à época e ao centroavante Leonardo, que também participaram do programa, além do apresentador Marcelo Fachinello e do finado comentarista Silvio de Tarso.

Infelizmente, nosso comandante não pôde comparecer, porém participou pelo telefone, e, quando me foi pedido que lhe fizesse uma pergunta, fugi ao roteiro e fiz um sincero agradecimento pela emoção, pela felicidade e principalmente pela retomada do orgulho de ser paranista, e ver o Tricolor voltar a ser grande, ao qual ele respondeu sensivelmente emocionado, em razão do enorme carinho que nutria pelo Paraná Clube.

E assim, com o retorno de todas essas lindas lembranças hoje pela manhã, foi difícil seguir normalmente para o trabalho, como se nada tivesse acontecido, como se fosse fácil saber que nunca mais veremos nosso Caio comandando o Tricolor, ou simplesmente acompanhando algum jogo na Vila Capanema.

O futebol interfere diretamente e indelevelmente na vida de milhões de pessoas, sejam protagonistas do espetáculo ou torcedores, e, por isso, jamais será apenas um jogo...

Assim, aproveito a coluna de hoje para deixar registradas as minhas mais sinceras condolências aos familiares e amigos das vítimas desse terrível acidente, e, em especial, aos torcedores e simpatizantes da Chapecoense, bem como meu MUITO OBRIGADO a você, Caio Júnior, pelos momentos felizes proporcionados, que guardarei para sempre! Descanse em paz!

Pedro Brizolara l Colunista da Paranautas às terças-feiras. Paranista, uruguaio, advogado e boleiro amador. Tricolor da Vila desde 1995, louco pelas três cores mais lindas do mundo, e honrado em fazer parte do maior (e melhor) portal sobre o Tricolor da Vila.

Twitter: @PedroBrizolara



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