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Manifesto da reflexão

Henrique Ventura

Publicado em: 19/12/2016 - 00:37

Aviso: esta coluna pode doer.

Neste dia 19 de dezembro de 2016 o Paraná Clube completa 27 anos. Há exatos dez, terminamos os anos sem ter o que comemorar, apenas celebrando glórias do passado ou feitos isolados de momento. Inclusive, semPRe foi a postura desse portal de fazer algo nesse sentido. Mas, nesse ano, isso não vai acontecer. Não teremos nenhuma matéria ou texto celebrando o aniversário. E isso é fácil de entender.

2016 foi um ano muito dolorido. Desde a eliminação nos penaltis no campeonato estadual, frustrando as expectativas criadas por um belo início de temporada, até a perda de nosso ídolo Caio Junior, passando pelo pior Campeonato Brasileiro da Série B de toda nossa história desde que caímos e uma série de desrespeitos ao torcedor e ao sentimento paranista, o torcedor ganhou inúmeros pretextos (ou mesmo razões) para se afastar.

Com o fim da temporada passamos a renovar aquela esperança de que o ano seguinte será diferente. Mas acho que temos que pensar além disso. Que tal repensarmos o tamanho do nosso amado Paraná Clube?

Não tiro totalmente a razão de quem acha que deveríamos subir a qualquer custo para a primeira divisão. Foram quinze anos a fio por lá, desde praticamente o começo da nossa história. Além disso, é abissal a diferença de receita oriunda de cotas de transmissão televisiva. Mas, sinto informar, isso não é tudo. Se fosse, não estaríamos hoje nessa situação cretina, pois desde os tempos "áureos" fomos absurdamente falhos na gestão e no monitoramento do clube. E afirmo dolorosamente que nossa sina, hoje, é ficar na série B até amenizar os até então 27 anos de péssima administração, visão e, é claro, grande omissão.

O que o Paraná Clube precisa fazer, de forma urgente, é jogar aberto com a torcida. Dizer: "Não vamos planejar subir, por enquanto. Não temos como. E justamente por isso precisamos de vocês". Na última tentativa de gastar muito para tentar subir, foi montado um elenco muito bom, mas o acesso escapou porque não temos condições estruturais e de gestão para manter um grupo de atletas focado pelo tempo suficiente. Além disso, ficaram dívidas que cobram até hoje seu preço. Deveria ser decretado à diretoria, aos atletas, aos funcionários, à imprensa: é proibido falar em acesso antes de se conquistarem 45 pontos na série B corrente e antes de se conquistar um título estadual.

É nítido que definhamos. Nossa situação só não é pior em termos de apelo e visibilidade porque nossos rivais locais são muito incompetentes dentro de campo (o que pode ser apenas questão de tempo para mudar). E também porque, apesar de tudo, nossa camisa ainda significa algo muito importante e subjetivo, alguma coisa que impõe um certo aviso: "cuidado, esta instituição pode se reerguer e enrabar seu time novamente a qualquer momento". Mas precisamos reconhecer que não dá para torcer para o Paraná esperando que ele vá ser campeão ou conseguir um belo feito tão logo. E o planejamento da gestão paranista também deve seguir isso.

Mas o que significa assumir essa postura? Reconhecer que o Paraná Clube e sua massa de 300 mil torcedores hoje são incapazes de gerar, sozinhos, a receita que a instituição precisa para se reerguer. E que, consequentemente, a solução passa por buscar união com clubes em patamar semelhante para gritar contra o sistema que faz um Internacional-RS receber 20x mais dinheiro que 18 concorrentes de série B, por exemplo. Buscar mostrar ao Brasil (e aos potenciais patrocinadores) a ideia de que é honroso, válido e gratificante dar prioridade a colocar a casa em ordem em detrimento de investimentos suntuosos no ralo de dinheiro que é o futebol.

Mas não adianta nada convencer o "sistema" sem que antes a própria torcida compreenda esta situação. Hoje é totalmente compreensível o afastamento da nação tricolor, o acúmulo progressivo de desrespeito ao torcedor atingiu seu ápice em 2016. Mas isso não isenta a torcida de sua omissão histórica. Até 2006 o time jogava a série A, tinha menos dívidas, mais patrimonios e um lastro maior para tentar se recuperar das dívidas. Ainda assim, os torcedores em geral dormiram em berço esplêndido e hoje muito do que se vê é culpa dessa omissão. Não só do torcedor médio, mas principalmente dos Conselhos previstos no estatuto, que permitiram que muita barbaridade acontecesse até aqui e que atualmente, mesmo com bastante oxigenação, ainda tenham - principalmente no Deliberativo - uma maioria de vaquinhas de presépio que caem em qualquer ladainha e uma sufocada minoria lúcida e questionadora. Mudar esse panorama de omissão e começar a comprar as brigas do clube é o desafio da vez para a torcida paranista.

Só que a diretoria também precisa ajudar nesse desafio. Parar de desrespeitar o sócio e o torcedor é o primeiro passo. Fidelização é importante, são os sócios que dão uma renda "fixa" e que podem dar um gás novo na vida política da instituição. Mas o torcedor comum precisa ser fisgado novamente. E não falo só de fazê-lo ir ao estádio, mas antes disso ainda fisgá-lo para que ele volte a buscar notícias do clube, volte a se interessar pelo que acontece. E para isso é necessário mostrar seriedade. Para isso, seguem algumas sugestões.

1 - Buscar reuniões extrajudiciais com credores, demonstrar boa vontade na redução de dívidas.

2 - Parar de tratar o programa de sócios como um pacote de ingressos maquiado. Se o clube busca, na fidelização, uma tentativa de ter uma renda mais estável por parte dos torcedores, ela não pode ser volúvel, que é o que acontece quando depende apenas de resultados de campo. É óbvio que se temos condição financeira ruim os resultados tendem a ser ruins, e isso tende fazer o torcedor buscar dar mais vazão a outras prioridades da vida, ainda mais em tempo de crise. Dar vantagens reais ao associado (não só 10% de desconto na loja), buscar parcerias para que ele possa ter uma rede de confiança e sentir que o Paraná Clube faz parte da rotina dele em outras demandas cotidianas - academia, atividades, piscina, estabelecimentos comerciais, eventos (já que hoje praticamente não existe mais a parte social do clube). Aquela instabilidade de brincar com realização e abolição repentinas de promoções de ingressos e produtos de forma inconstante só arrebenta ainda mais as chances de o torcedor se sentir respeitado.

3 - A principal: adotar um Conselho não oficial, não previsto em Estatuto. Uma espécie de "Conselho Consultivo Popular", composto por torcedores sócios (60 a 75%) e não-sócios (25 a 40%), que seria chamado quinzenalmente ou mensalmente para discutir medidas (especialmente as que não necessitam de aprovação prévia nos Conselhos previstos em Estatuto) que o Conselho Gestor venha a cogitar, como ações para sócios, promoções, ações de mercado, ações no departamento de futebol etc, totalizando no máximo vinte pessoas. A ideia dessa proposta é a de gerar uma gestão participativa, em que a diretoria acabe partilhando uma parcela de responsabilidade de seus erros e acertos com a torcida, representada por este Conselho sugerido.

4 - No futebol, estipular internamente uma meta de um número máximo irrisório para resultados adversos em casa. Afinal, poucas coisas desanimam mais o torcedor do que ir ao estádio e ver o time perder.

Desejo que neste aniversário de 27 anos, diretoria e torcida reflitam sobre o que cada um pode fazer de diferente daqui para a frente. Que ambos os lados considerem aceitar nosso atual tamanho no cenário futebolístico e as implicações do fato, bem como as soluções que surgem a partir desta aceitação.

Mas espero que, apesar de todo esse choque de realidade, não nos esqueçamos do quanto essas três cores são capazes de mexer conosco. Do quanto, com a casa em ordem, ainda somos capazes de crescer novamente e buscar nosso digno lugar ao sol.

Parabéns, Paraná Clube! Parabéns pelos 27 anos de vida completados. Apesar de tudo de ruim que já aconteceu, a instituição ainda vive. Contrariando principalmente uma corja de despeitados que conta, à toa, os dias para anunciarmos o nosso fim. Só que isso nunca acontecerá. Até porque, se por um acaso acontecer, nós fazemos um Paraná Clube de novo só para nós.

Eu te amo, meu Tricolor!

Henrique Ventura (domingo)
Médico Veterinário de 29 anos, descendente e propagador de uma enorme linhagem de paranistas. Entusiasta da igualdade entre tricolores e crítico dos vícios históricos do clube. Sabe que dias melhores virão para o Paraná Clube.
henriqueven@gmail.com

Henrique Ventura

Colunista da Paranautas aos sábados. Médico Veterinário de 29 anos, descendente e propagador de uma enorme linhagem de Paranistas. Entusiasta da igualdade entre tricolores e crítico dos vícios históricos do clube. Sabe que dias melhores virão para o Paraná Clube. Eventualmente, às segundas-feiras, contribui com as colunas "Cuidando da segunda pele", sobre as camisas do Tricolor.

Twitter: @henventura

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