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Histórias de Paranismo - Parte 1

Henrique Ventura

Publicado em: 01/04/2018 - 22:39

Eu poderia aproveitar esse hiato de três semanas que o Paraná Clube vai ficar sem jogos para vir aqui e falar de reformulação, de quais tiriças deveriam sair do elenco para a série A, quais reforços deveriam vir, falar da gestão como um todo. Mas, não.

Prefiro aproveitar que, depois de um longo tempo, voltaremos a disputar a divisão do campeonato brasileiro que a minha geração de paranistas cresceu vendo o time jogar. E mexer um pouco com o nosso sentimento de paranismo, que refloresceu com tantas amostras durante o ano passado.

Vou começar com três historinhas curtas, óbvias, bobinhas. Mas que tem uma dimensão oculta inenarrável. Ao final delas, convoco a nação paranista para que apresente suas histórias. Elas podem parar no site da Paranautas.

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A escoriação da alma

Cresci com meu pai me ensinando a ser paranista mas, ao mesmo tempo, falando que futebol não leva a nada, que é tudo em torno de dinheiro e que no fim das contas quem está lá jogando não está nem aí para o torcedor (e tá errado?).

Naquele nefasto abril de 2011, o Paraná empatou em 2x2 em casa com o Arapongas e foi rebaixado à série prata do bizarro campeonato paranaense. Voltei com meu pai para casa ouvindo o pós jogo no rádio do carro. Quando chegamos, não descemos do carro. Ficamos ali, absorvendo toda aquela repercussão de algo inacreditável.

Foi quando olhei para o meu pai, meu heroi impassível que tanto falou a vida inteira que o futebol não vale nossas lágrimas, com os olhos marejados. Quieto, incrédulo, embargado. Como em uma escoriação que arranca a pele e mostra camadas mais profundas do corpo, ali eu vi uma alma paranista em sofrimento exposta numa ferida considerável, capaz de mexer no mais durão sentimento paranista.

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A descoberta da emoção

No último jogo do ano passado, levei minha filha mais velha ao estádio. Era a primeira vez que ela via tanta gente junta no mesmo lugar, afinal, eram 37 mil tricolores no pinga-mijo. Até o intervalo, a pouca idade dela fazia com que ela se sentisse incomodada com o aperto, com a temperatura morna da partida, com a fumaça da festa, com qualquer coisa que fizesse uma menina de 7 anos achar menos interessante estar lá que ficar em casa brincando.

Mas então o segundo tempo veio repleto de emoções, coroadas com um gol emocionante no último lance do jogo. Explodi de alegria, joguei ela pro alto (e peguei de volta, é claro) e dei um abraço apertado, chorando de emoção. Na caminhada até o carro, ela estava empolgadíssima comentando sobre o quanto foi legal estar lá e, como em um discreto parênteses, me falou bem baixinho: "papai, eu vi que você tava chorando na hora do gol. Eu gostei disso e gostei muito do gol!".

Nesse momento ela havia descoberto, por mim, o turbilhão de emoções que o Tricolor é capaz de despertar.

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Uma memória que nunca acabará

Já neste ano, minha esposa (que não é paranista e, digamos, é um pouco contra eu inserir tanto minhas filhas no mundo do futebol) foi fazer um curso de uma semana longe de casa. Minhas meninas, muito ligadas a ela, aguardavam ansiosamente os momentos em que ela nos ligava para falar com elas.

Eram umas 19h e eu estava dirigindo quando ela ligou. As crianças atenderam, falavam com ela e já era a vez da minha filha mais nova. O papo estava rolando bem entre elas quando passei pelo viaduto adjacente à Vila Capanema. Minha caçula, ao ver o estádio, imediatamente largou o telefone e começou a cantar "É Tricolor, dá-lhe, dá-lhe ô...é Tricolor, dá-lhe, dá-lhe ô...".

Havia 4 meses que ela não ia a um jogo (o último havia sido aquela vitória insana de 2x1 sobre o Londina), mas ao ver o estádio ela largou uma das coisas pela qual ela mais anseava no dia para entoar um canto que ficou grudado na memória dela. Um canto de puro paranismo.

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Eu sei que os resultados e o rendimento do time neste início de ano não foram promissores. Mas a série A está ali e precisamos voltar a curtir este momento de voltarmos a esta competição.

A hora é de apoio total para continuarmos disputando essa competição da qual ficamos tanto tempo longe. E nada melhor que deixar o sentimento paranista afiado para encararmos esse desafio.

Por isso, envie para comunicacao@paranautas.com ou henriqueven@gmail.com uma história legal de paranismo que aconteceu com você. Ela pode ser publicada aqui no site.

Vejo você na Vila!

Henrique Ventura (domingo)
Médico Veterinário de 29 anos, descendente e propagador de uma enorme linhagem de paranistas. Entusiasta da igualdade entre tricolores e crítico dos vícios históricos do clube. Sabe que dias melhores virão para o Paraná Clube.
henriqueven@gmail.com

Henrique Ventura

Colunista da Paranautas aos sábados e dias em que a inspiração aparecer. Médico Veterinário de 30 anos, descendente e propagador de uma enorme linhagem de Paranistas. Entusiasta da igualdade entre tricolores e crítico dos vícios históricos do clube. Sabe que dias ainda melhores virão para o Paraná Clube.

Twitter: @henventura

henriqueven@gmail.com



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